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S O U

17-10-2013 12:38

Meu calcanhar não é de Aquiles.
Sou -- tão somente, um simples mortal
Que, peregrinando pela existência,
busca um refúgio à sua alma imortal!

Sou um mortal comum

17-10-2013 10:14



Sou um mortal comum.
Só busco a verdade
Que se afigura-me,
intensa e densamente,
em forma de um poema;
-- Que me coloca
em xeque-mate!..

Não sou um mestre cósmico:
Conhecedor de leis supremas
e de verdades naturais...
Nem sou, tampouco, um ser
errático, de esferas noo.
Não sou algo errante pelos ares
como se fora um átomo qualquer!

Eu sou um ser real e existente.
Um dentre os homens:
Penso, logo existo!
Vivo, sofro... e, sonho também!
Sou um mortal comum:
Nauseabundo vagueio,
pelos escombros seculares
da vida óssea e carnal...

Nas minhas veias corre o sangue
Sangue comum a todos os mortais
-- Não é azul, nem é plebeu;
É sangue escarlate-puro
que se coagula e se dilata,
ao ser tocado pelo fogo...

Aqui -- na terra, sou aprendiz.
Tudo intriga-me,
Desconhecido-me é tudo.
Ao sabor dos vendavais,
das tempestades e dos ventos,
veleja o meu ser apavorado --
Por sobre as ondas dos mares
e das marés -- tento andar:
Procuro equilibrar-me,
para não me afogar...

Ouço mil vozes
de um canto não térreo...
Sonantes vibrações esperam-me lá.
Juntar-me-ei à sintonia daquele canto;
Depois de ter atravessado os mares
-- vencido as águas turbulentas,
das tempestades e dos ventos.
Repousarei -- "ad infinitum", lá!

____________________________________
noo --
"NOO é uma plataforma experimental,
um novo projeto de mídia diferente
de tudo que você (e a gente) já viu.
Nem tudo que é interessante é NOO,
mas tudo que é NOO é interessante."

 

Чумаки

16-10-2013 15:58


Чумаком не був я.
Якби ж міг я бути ним?
В двадцятому віці я родився.
-- А шістнадцятого століття
будувались чумацькі часи...

Обабіч дороги, високі тополі.
На полі ж гуляли журавлі,
Піднімали високо крила:
Надоїлось їм збирати
зерно пшениці по землі...

Гаї зелені вбрані в квіти.
Трава вкривається росою...
А промінь ясна сонця
Відображається,
над стрічкою води чистенької,
що вибухає річкою:
Різноманітно та тихенько.

Там хлопці плавали,
Казали що вони рибалки.
-- Чумакам розповідали,
про свої гулянки...
А чумаки, люди розумні,
З ними жартували. Такого,
навіть на Чорнім морі,
не чули ніколи й не знали.

O primeiro beijo

16-10-2013 08:58


A beldroega, na umidade
do nosso primeiro beijo
desabrochou e,
talo a talo, avançou:
Uma paz e a alegria de viver,
no branco-róseo, despontou...

Foram teus olhos meigos
que os meus fitaram.
Foram teus lábios sedutores
que os meus beijaram.

Depois,
ficou tudo tão diferente:
O nosso amor,
como um gervão em flor,
se alastrou.
Nos envolveu,
Tangeu-nos com espinhos-agulha,
Cobriu nosso caminho de cabeça-de-boi.

A beldroega não mais desabrochou.
A folhagem empalideceu, --
não mais encontrou umidade
dos nossos beijos.
Cada pedaço do seu talo feneceu.
A vassourinha, vassoura se tornou
-- Varreu os restos de um amor
que, com o tempo, fraquejou!..

____________________________________________
Espinhos-agulha [espinho-de-agulha] --
Arbusto (Chuquiragua vagans) de flores
esbranquiçadas, com altura que chega até 4m.
Cabeça-de-boi [Stanhopea Insignis]--
Nome popular de uma planta da família das
Orquidáceas de cultivo relativamente difícil
e cuja flor é de curta duração.
Vassourinha [Vassourinha-de-botão] --
Nome popular de uma planta, o mesmo que tapixaba.

 

Не питай

15-10-2013 09:54


Не спиться й не сниться...
Вставати не хочу -- Боюся,
а не питай чого, бож
Я не скажу:
ні тобі, тай нікому...
Мовчу! Сумую самітньо.
Чому?.. Не питай!
Бож я не скажу...

Говорила мені мати
Тай батенько, тоже казав:
"Не гуляй до пізньої ночі.
Світанку можеш не зустріти
-- Під ранком,
чорт криниченьку скопав...
Той хто блукав раненько,
до неї впав. Тай не устав"
Води напився... Утопився!

А мила чорнобрива
Що ж би зробила тоді зі мною?
На віки б спокою мені не дала
-- Не спавби я тоді ніколи...
Тай слухати не міг би
Як сумно співають раненько --
горобці та соколи.

Ой сон мені не сниться
А також і не спиться.
Очей закрити не бажаю!
Чомусь чогось боюся... Не знаю.
Раненько в ранці що зустріну?..
Себе я сам питаю.

 

Kafka revisto

14-10-2013 13:59


Kafka produto híbrido
de nostalgia,
de desencanto e
de salpicados de ironia.
A faceta de um comediante
sócio-polido de acidez...

Filho de Praga
Pensou Direito, por opção.
De lucidez astuta,
irônico por reação.
Levou a vida de forma
intempestiva --
Transcendendo-a
a qualquer consideração...

No passado heróico,
está a razão de viver.
O presente de lutas,
o passado apenas será.
O futuro incerto,
aos heróis do presente,
efígies memoriais erigirá!

A pátria traída
é a própria loucura sentida.
São os caminhos da vida,
capturados por uma coorte
que se arvora em ser
a única Provedora da sorte!

São caminhos reais como a noite,
imaginários como o insolarado dia
e tortuosos no palmilhar; Todavia,
Belos no sonhar... Embora,
indiferentes no vivenciar!

Na vida sem rimas
        sem cantos redomas
        cantamos o nosso existir.
Vivemos insentes
        na dor mergulhados
        viajamos de um ponto a outro
        em busca de paz!..

Prazeres
Frustrações
Remorsos
Desencantos -- encantos perdidos
               orgulhos feridos.
Deixamos de ser.
Com a Pátria traía, devemos morrer!

 

Olhando para o futuro

14-10-2013 08:32


Montado a cavalho,
olhando para o futuro!
Sem esquecer o passado
Romper as fronteiras!
Vencer as derrotas:
as glórias viver!
Construir o presente,
sem nada temer...

Assim se levanta a sorte!
Assim se constrói o viver
-- sem choro, sem mágoas,
Apenas se vive o dever!..
Montado a cavalo,
olhando o futuro,
sem o passado esquecer!..

Removendo os escombros.
Limpando a poeira --
O pó dos pés sacudir...
Esboçar um leve sorriso,
De quem jamais se deixou
em desgraça se diluir!..
A cavalo, ao futuro seguir.

O passado se foi;
Bem-vindo o por vir.

 

Ucasse

13-10-2013 12:25


Ucasse coletivo não é opinião.
É antes um prisão preventiva,
dentro dos limites estritos do
-- socialmente, válido ou não.

Mas nem isso deve ser!..
Ucasses são decretos coletivos.
Informalmente pretendem dominar
As idéias, os pensamentos, e
O próprio modo de viver.

Ter opinião,
É ter uma visão própria do mundo.
É situar-se num contexto coletivo
de modo livre e racional:
Viver intensa, decidida, plena e
francamente a problemática
do todo coletivo social... Sentir
-- a fundo, o batuque da vida real.

Ter opinião, é ser participante
nas magnas decisões do coletivo --
Como se fosse sorver
a última gota de orvalho do viver!
Traçar objetivos... Adequar meios;
Enfim, ser cidadão por completo.
-- Sem a ninguém desmerecer!
________________________________________
Ucasse -- (úcasse, úcase)
Decreto do antigo imperador (o tzar) da
Rússia Imperial: "Úcase imperial"
P. ext. Decisão autoritária, imperativa.

 

A Lua

13-10-2013 09:22


A orgulhosa Lua, branca e formosa.
Caminha pelas clareiras das montanhas
Seu charme esparge. É toda garbosa!..
No seio das matas. Atravessa oceanos:
-- Conduzindo regatas --
De barcos à vela...
Escrevendo uma história singela
de quem se aventura a enfrentar
as ondas do mar e as suas procelas.

Como se raios de luz vomitasse,
A Lua serena desliza e, num passe,
dos ventos enfrenta o boicote:
Esconde seu pálido rosto
por detrás das montanhas
-- De lá ressurgirá,
Em forma de uma dobradura do tsuru
Para imitar o grou
que um dia a enganou!.. Esqueceu e
Os seus raios luzentes abandonou!

A Lua garbosa, de grande encolheu
Despediu-se da noite... Parecia
uma princesa -- Saindo da corte e
deixando a nobreza, se escondeu:
Por trás das montanhas,
Atravessou os oceanos... Para
Conduzir as regatas de barcos à vela.
A Lua branca e formosa,
com sua pálida face singela,
Serenou o meu coração!

 

Sorrisos perdidos

12-10-2013 12:49


Estrela encantada brilhava no céu.
Sorrisos perdidos -- no espaço,
vagavam sem véu. Não eram sorrisos;
Eram só risos concisos
-- de ágeis sobreavisos que
flutuavam incisos em faixas
extensas, estendidas ao léu.
Diziam: 'Na beira do mar --
sentada está, uma Quimera
lançando fogo pelas narinas!"
Quem dera-me vê-la, um dia.
Oh, se eu pudera!..

Na beira do mar,
sentada sem lar, a chorar.
-- Estava ela só, a chorar...
Sem ninguém. Observando a Lua --
navegando entre as nuvens,
Talvez, procurando a Quimera,
para com ela as suas mágoas
amenizar ou dissipar.
Ou delas se livrar!..

Encantada, na calada da solidão,
Na beira do mar, a sós a chorar!

Brilhava a estrela, clareava o mar
Viajando a Lua, buscava a Quimera
-- pretendia a dor partilhar:
Com ela que,
sentada à beira do mar,
Espargia sorrisos
sobre as ondas do mar.

 

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